Autor: Dra. Isabela Miranda Leandro

Isabela Miranda Leandro é médica psiquiatra formada pela Universidade Federal do Ceará e possui experiência no tratamento de adultos e crianças. Atualmente reside e clinica em Fortaleza.

Ansiedade de separação: Como ajudar seu filho

Ansiedade de separação: Como ajudar seu filho

Schoolgirl Hugging Her Mom --- Image by © Jim Craigmyle/Corbis

Tratar pacientes ansiosos é o dia-a-dia de qualquer psiquiatra e não seria diferente com os especialistas em infância e adolescência. As crianças que atendemos com esse perfil normalmente são inseguras, possuem vários medos (de escuro, de animais, de monstros ou fantasmas), preocupações excessivas (com o desempenho escolar, com sua saúde ou de seus pais, com a violência, etc) e queixas somáticas diversas (palpitação, falta de ar, dor de barriga, por exemplo). Algumas apresentam uma imensa dificuldade de ficar longe dos pais, o que se torna um problema importante, especialmente no momento de ir à escola. Nesses casos, deixar o filho sob os cuidados da professora pode ser o gatilho para uma crise de agitação, choro, gritos ou até ataques de pânico. Quando esses sintomas estão além do esperado para o nível de desenvolvimento da criança, duram mais de quatro semanas, começam antes dos 18 anos e causam sofrimento ou prejuízo significativo, estamos diante do Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS).

O TAS é caracterizado por uma reação anormal à separação real ou imaginária de um ente próximo, geralmente um dos pais ou ambos. A criança manifesta um medo excessivo antes e durante a separação, preocupando-se com a possibilidade de que algo de muito ruim ocorra a seu parente (por exemplo, desaparecer, morrer, sofrer um acidente) ou a ela mesma (como se perder, se machucar, ser raptada, etc). Algumas apresentam sintomas comportamentais que podem ser considerados constrangedores para seus pais, como chorar, gritar, espernear, etc. Outras, sintomas físicos similares a um atraque de pânico (palpitação, falta de ar, tontura, sensação de morte iminente), podendo também ocorrer dor abdominal, dor de cabeça, náuseas ou vômitos. Essa é, portanto, uma situação de sofrimento individual e familiar, que merece atenção e pode necessitar de cuidado profissional.

Mas como podemos ajudar a criança a superar essa dificuldade?

O primeiro passo consiste em compreender e empatizar com sua ansiedade. Quando se trata do TAS, interpretar as crises como birra ou falta de educação é o erro mais cometido pelos pais, professores e até por alguns profissionais de saúde. O que a criança apresenta é medo mesmo, um verdadeiro pavor de ficar sozinha e, nesses casos, forçar uma separação brusca não costuma ser a forma mais apropriada de lidar com o problema.

Os próximos passos são: (1) ajudá-la a manter a calma nos momentos de crise, (2) ajudá-la a se sentir segura na ausência dos pais, (3) auxiliá-la no desenvolvimento da autonomia.

Ajudando seu filho a manter a calma: Escute-o empaticamente, mas sempre mantendo a calma, a fim de que seu comportamento sirva de modelo. Ensine técnicas simples de relaxamento, como respirar profundamente, contar até 10 ou visualizar uma cena relaxante. Aprender a relaxar proporciona à criança um senso de controle sobre seu próprio corpo.

Ajudando seu filho a se sentir seguro na sua ausência: Planejem as transições com antecedência. Pensem juntos como será o processo de tomar banho, se vestir, chegar a escola e se despedir, criando medidas de enfrentamento para possíveis contratempos. É possível elaborar uma lista de estratégias para controlar a ansiedade: buscar um lugar seguro, procurar uma pessoa de confiança, telefonar para os pais, realizar atividades de distração, como pintar, desenhar, ler um livro, etc.

Auxiliando seu filho no desenvolvimento da autonomia: Incentive a interação da criança com os colegas de classe; encoraje seu vínculo com os profissionais da escola (pessoal da limpeza, da portaria, da coordenação, professores, etc); incentive sua independência, permitindo que corra, pule, se divirta, sem supervisão constante quando isso for seguro; permita que a criança tenha momentos de convívio e lazer com familiares ou amigos confiáveis, na ausência dos pais.

A escola também pode ajudar nesse processo, fiscalizando a chegada do aluno ao colégio; escolhendo um profissional de referencia, para acolher e oferecer o suporte necessário nos momentos de crise; permitindo a presença de um acompanhante em suas dependências durante as aulas, um turno escolar mais curto e um tempo extra para as transições das atividades.

Em casos mais graves, em que tais medidas comportamentais não são suficiente s para amenizar os sintomas, é recomendável buscar ajuda profissional, a fim de iniciar o tratamento psicoterápico ou farmacológico, nesse caso sob supervisão de um psiquiatra.

Este vídeo, embora em inglês, ilustra bem o Transtorno de Ansiedade de Separação. Costumo mostrá-lo para meus pacientes crianças e eles compreendem mesmo com a diferença de idioma: https://www.youtube.com/watch?v=jEkFp0Ux4OQ

Transtorno Afetivo Bipolar: “Será que eu tenho essa doença?”

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        Vários amigos, familiares e pacientes já me abordaram com esse questionamento: “uma hora eu estou feliz, outra hora estou triste, será que sou bipolar?”. Essa resposta só é oferecida após uma avaliação minuciosa, mas tenho percebido na minha clínica diária que as pessoas em geral confundem instabilidade do humor com transtorno do humor bipolar. Leia mais

Suicídio

Suicídio

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“…Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate…”

(Carlos Drummond de Andrade – Não se Mate)

Suicídio: um tabu, um pecado, um alívio, o inconcebível, o injustificável, o fim… Cada um de nós carrega consigo um significado para essa palavra, mas poucos ousam debater sobre ela. Por ser culturalmente reprovável, a sociedade trata desse tema com esquiva e aversão, considerado o simples fato de falar sobre ele como algo impuro ou perigoso. Antigamente, os próprios livros de psiquiatria recomendavam aos psiquiatras que não pesquisassem a presença de ideação suicida em sua clínica diária, caso contrário, poderiam induzir os pacientes a atentarem contra a própria vida. Entretanto, isso é um mito. Conversar acerca do suicídio é de suma importância, na medida em que nos permite identificar a intenção de praticá-lo e assim tomar as medidas cabíveis para preveni-lo.

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Transtorno Obsessivo Compulsivo: um tratamento diferenciado

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“Doutora, eu tenho aquela doença em que a pessoa não consegue parar de lavar as mãos.”

“Eu preciso checar cinco vezes se a porta está fechada. Não pode ser uma nem duas nem três nem quatro vezes, tem que ser cinco vezes.”

“Não consigo ver uma mesa desorganizada, inclusive eu gostaria de organizar sua mesa agora mesmo, dourota. Pode ser?”

Sentir medo excessivo de contaminação, ter necessidade de organizar os objetos simetricamente, checar diversas vezes se a porta de casa está trancada… podem ser sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Conhecido por estranhezas e exageros, o TOC é um transtorno Leia mais

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Autismo, compreendendo o básico

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O que é autismo?

Algumas pessoas conhecem o autismo como “aquela doença em que a criança vive presa em seu próprio mundo”. Essa afirmação não está de toda errada, mas é um tanto quanto simplista. O autismo é uma desordem neurocomportamental extremamente complexa, que inclui um espectro de gravidades que vai desde casos leves, praticamente imperceptíveis aos olhos dos leigos, a casos graves e de difícil controle. Leia mais

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“A primeira crise de pânico é como o primeiro amor, doutora. A gente nunca esquece”, foi o que disse um dos meus pacientes, na sua primeira consulta, em tom de brincadeira. Mas existe verdade por detrás dessa afirmação. Os ataques de pânico são crises súbitas e intensas de ansiedade, caracterizadas por Leia mais