Depressão e alcoolismo, causa ou consequência?

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this pageEmail this to someone

Depressão e alcoolismo, causa ou consequência?

 

Há um ano, atendi uma paciente com aproximadamente quarenta anos de idade que passou a beber após uma separação conjugal. Diante do sofrimento, ela recorria ao uso de vinho na tentativa de conseguir dormir adequadamente e de aliviar sentimentos negativos, como tristeza e ansiedade. Com o passar dos meses, notou que necessitava de quantidades cada vez maiores de álcool para obter o efeito desejado e que, ao reduzir ou cessar a ingesta etílica, apresentava mal-estar, palpitações, irritabilidade e insônia. Essa mulher estava desenvolvendo um alcoolismo, secundário ao episódio depressivo.

Ao longo da minha vida profissional, já atendi vários casos de alcoolismo associado à depressão. Certa vez, veio ao meu consultório um homem de meia-idade, etilista, com um quadro depressivo grave, iniciado após a perda do emprego. Era um pai de família que fora demitido em decorrência de faltas e atrasos frequentes ao trabalho, especialmente às segundas-feiras, dia em que a ressaca não lhe permitia cumprir com suas obrigações. As dificuldades financeiras e os conflitos familiares decorrentes do alcoolismo tornavam-no uma pessoa entristecida, sem ânimo para realizar suas atividades cotidianas, com auto-estima baixa e sem esperança. Ele chegava a pensar que a vida já não valia a pena e que a morte seria a única solução para toda aquela angústia.

Esses dois casos apresentam diferenças e semelhanças. No primeiro, a depressão levava aquela senhora a fazer uso de álcool, no intuito de aplacar seu sofrimento. No segundo caso, o uso de álcool é que gerava um ambiente e um estado físico de saúde propícios ao surgimento da depressão. Em ambas as situações, os sintomas depressivos e o alcoolismo se retroalimentavam, ou seja, quanto mais intensa a depressão, maior o consumo de álcool e quanto maior o consumo de álcool, mais intensa a depressão, como uma bola de neve, que aumenta de tamanho e de alcance ao longo do tempo.

Assim, sempre que me deparo com um paciente dependente de álcool, procuro investigar sintomas depressivos. Tenho percebido na prática clínica o quanto essa associação é comum e que, não importa quem surgiu primeiro, essas duas condições se reforçam mutuamente e ambas merecem tratamento adequado.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this pageEmail this to someone

2 comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *