Transtorno Afetivo Bipolar: “Será que eu tenho essa doença?”

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bipolar

        Vários amigos, familiares e pacientes já me abordaram com esse questionamento: “uma hora eu estou feliz, outra hora estou triste, será que sou bipolar?”. Essa resposta só é oferecida após uma avaliação minuciosa, mas tenho percebido na minha clínica diária que as pessoas em geral confundem instabilidade do humor com transtorno do humor bipolar. Indivíduos afetivamente instáveis variam excessivamente o estado de ânimo ao longo do dia. Se nesse momento estão alegres, podem tornar-se tristes ou irritadas em poucos minutos e logo em seguida retomar a calma ou a alegria, sem nenhuma causa aparente. Isso não é o que acontece no transtorno bipolar.

      Para estabelecer esse diagnóstico, é necessário que as variações de humor persistam durante dias. Por exemplo, quando em fase depressiva, o indivíduo permanece pelo menos duas semanas entristecido, sem desfrutar de interesse ou prazer em quase todas as atividades diárias, podendo apresentar também fadiga, perda de energia, baixa autoestima, ideias de culpa ou de menos valia, alterações do sono e do apetite e, em casos mais graves, ideação suicida. Por outro lado, nas crises de mania ou hipomania (que são aquelas opostas à depressão), o sujeito torna-se persistentemente irritado ou eufórico durante no mínimo quatro dias, podendo apresentar uma elevação exagerada da autoestima, redução da necessidade de sono, pensamentos acelerados, dificuldade de concentração, agitação psicomotora, bem como um comportamento de falar demais, falar mais rápido e mais alto do que o habitual e, em casos mais graves, delírios e alucinações. Existem ainda os episódios mistos, que são aqueles em que tanto os sintomas de um episódio depressivo quanto os de um episódio maníaco se fazem presentes. É importante destacar que, para que sejam consideradas patológicas, essas variações de humor devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízos na funcionalidade social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do sujeito.

       Portanto, considerando os manuais diagnósticos mais atuais de psiquiatria (CID-10 e DSM-V), mudanças bruscas de humor, que variam em horas ou minutos de um polo depressivo para um polo eufórico ou irritado, não correspondem ao diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar. Talvez estejam relacionadas a outro transtorno mental, mas isso requer uma avaliação mais profunda do caso, realizada pelo psiquiatra ou outro profissional da saúde mental.

Para saber mais sobre transtorno bipolar, sugiro esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=wNA1IxyVVlw

Aproveito também para divulgar o trabalho da ABRATA, Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. No site www.abrata.org.br, é possível encontrar diversos artigos e vídeos esclarecedores sobre o tema.

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One comment

  1. Link disse:

    E um absurdo amigo. Sou aposentado a 14 anos por transtorno bipolar, tambem nao me enquadro nos criterios para aposentadoria integral, embora trate da doenca a quase 20 anos. Nao quiseram me reintegrar ao trabalho. Tambem passo pela mesma situacao humilhante a que se refere. Ao que entendo o senado nao favoreceu ninguem pois quem se enquadra nas doencas especificadas em lei ja recebe aposentadoria integral.

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