Transtorno Obsessivo Compulsivo: um tratamento diferenciado.

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Transtorno Obsessivo Compulsivo: um tratamento diferenciado

 

“Doutora, eu tenho aquela doença em que a pessoa não consegue parar de lavar as mãos.”

“Eu preciso checar cinco vezes se a porta está fechada. Não pode ser uma nem duas nem três nem quatro vezes, tem que ser cinco vezes.”

“Não consigo ver uma mesa desorganizada, inclusive eu gostaria de organizar sua mesa agora mesmo, dourota. Pode ser?”

Sentir medo excessivo de contaminação, ter necessidade de organizar os objetos simetricamente, checar diversas vezes se a porta de casa está trancada… podem ser sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Conhecido por estranhezas e exageros, o TOC é um transtorno mental relativamente comum, que acomete cerca de 2 a 3% da população em geral, e se caracteriza pela presença de obsessões e/ou compulsões, as quais consomem um tempo significativo no dia-a-dia do indivíduo, de modo a causar importante sofrimento e a prejudicar seu desempenho em diversas áreas da vida, como social, acadêmica e familiar.

Por se tratar de um transtorno mental crônico e incapacitante, o Transtorno Obsessivo Compulsivo requer um tratamento diferenciado e que, idealmente, deve incluir o uso de medicações, psicoterapia, psicoeducação e apoio familiar. As pesquisas científicas mais atuais demonstram uma melhor eficácia quando a medicação é associada à Terapia Cognitivo Comportamental.

No que diz respeito ao tratamento farmacológico, os medicamentos de primeira escolha são antidepressivos que inibem a recaptação de serotonina, tais como Fluoxetina, Sertralina, Fluvoxamina, Paroxetina e Clomipramina. Essas medicações não causam dependência e, na maioria das vezes, conseguem eliminar ou atenuar os sintomas do TOC. No entanto, a melhora sintomatológica frequentemente requer doses mais altas do que na depressão e costuma ser observada mais tardiamente.

Na Terapia Cognitivo Comportamental, por sua vez, o terapeuta lança mão de uma técnica denominada Exposição com Prevenção de Resposta, na qual o indivíduo é gradativamente exposto à situações que provocam o surgimento das idéias obsessivas e da ansiedade, mas é estimulado a não praticar as compulsões em resposta a elas.

Apesar de todo esse aparato existente para o tratamento do TOC, os estudos mostram que a maioria dos pacientes demoram vários anos para procurar ajuda profissional, uma vez que temem ser considerados loucos ou insanos. Infelizmente, nesse intervalo entre o início dos sintomas e o início do tratamento, o transtorno mental agrava-se progressivamente, prejudicando a qualidade de vida e a capacidade funcional do portador, que tende a perder o emprego, abandonar os estudos, enfrentar o divórcio, etc. Daí a necessidade de se buscar intervenção psiquiátrica o mais precocemente possível.

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